terça-feira, 26 de outubro de 2010

"El sueño de la razón produce monstruos"

Na cidade sem sol onde te encontrei, meu pequeno talismã
perdia-me com esses pequenos sátiros do caminho
minha luz, minha razão, leve e embriagada
meu caminho para o fim;
minha pele nua toca a terra fofa desse mundo em que me esqueço
a chuva que cai dos meus olhos fecunda as noites de flores
os signos no céu desenham um reflexo de alma
dentro do meu jardim;
a abóbada dourada no horizonte do universo em que viajo
possui estrelas mornas feitas de fuga
eu toco as borboletas que suspiram no meu peito
no perfume da tua pele cetim
meu coração, pendurado na moldura do sorriso
desse corpo quente em que me enlaço
rápido, latente, voando cego sobre as colinas dos meus sonhos
me libertando assim;
no oceano infinito dos meus pensamentos
eu vejo os icebergs à luz da lua
serpentes deitam-se em minha cama
esperando a hora carmim;
teus olhos castanhos descem grânulos de açúcar
nossas mãos enlaçadas dormem separadas de nossos corpos
meu mundo d'agua fria inunda as salas sem janelas
e eu me afogo em mim.

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