Como um retorno dessas coisas esquisitas da minha vida, sonhei com uma parte engraçada do meu subconsciente.
Em frente ao portão da minha casa, castores e lagartos discutiam sobre o monopólio de exploração do lixo do pédio onde eu moro. Mordiam-se e debatiam-se entre gritos e discussões acaloradas (!) sobre quem poderia comer o resto de comida que ia fora. Eu não conseguia entrar em casa, porque tinha medo e eles estavam bloqueando a entrada. Eu atirava latas e entulhos neles, que apenas rosnavam e continuavam a discussão;
E eu acordei, assustada do sonho, mas rindo sobre o que minha mente anda me fazendo ver.
Remédios fazem bem, mas fazem mal.
quarta-feira, 1 de dezembro de 2010
terça-feira, 9 de novembro de 2010
La Vie Est Ailleurs
Se eu pudesse ter escolhido preferia que ela tivesse me batido. Um soco, no meio do nariz... e então talvez eu teria aceitado que ela estava certa. Ou ao menos teria ficado quieta.
Nada nesse mundo tem o poder de silenciar um pensamento.
Nada nesse mundo tem o poder de silenciar um pensamento.
"Tu t'entremêles et tu restes enfermée
Et tes sens te disent que tu veux t'en aller
Et leurs rires résonnent, et le mal s'emplifie
Car leurs rimes te suivent et deviennent ta routine
Et tes sens te disent que tu veux t'en aller
Et leurs rires résonnent, et le mal s'emplifie
Car leurs rimes te suivent et deviennent ta routine
Car la vie est ailleurs, Dans un âge lyrique
Et tes peines s'enfuient, Tes tristesses se dissipent
Car la vie est ailleurs, Et ton amour subsiste
Pour un sourire, un songe, Qui feront qu'il existe"
Et tes peines s'enfuient, Tes tristesses se dissipent
Car la vie est ailleurs, Et ton amour subsiste
Pour un sourire, un songe, Qui feront qu'il existe"
terça-feira, 26 de outubro de 2010
"El sueño de la razón produce monstruos"
Na cidade sem sol onde te encontrei, meu pequeno talismã
perdia-me com esses pequenos sátiros do caminho
minha luz, minha razão, leve e embriagada
meu caminho para o fim;
minha pele nua toca a terra fofa desse mundo em que me esqueço
a chuva que cai dos meus olhos fecunda as noites de flores
os signos no céu desenham um reflexo de alma
dentro do meu jardim;
a abóbada dourada no horizonte do universo em que viajo
possui estrelas mornas feitas de fuga
eu toco as borboletas que suspiram no meu peito
no perfume da tua pele cetim
meu coração, pendurado na moldura do sorriso
desse corpo quente em que me enlaço
rápido, latente, voando cego sobre as colinas dos meus sonhos
me libertando assim;
no oceano infinito dos meus pensamentos
eu vejo os icebergs à luz da lua
serpentes deitam-se em minha cama
esperando a hora carmim;
teus olhos castanhos descem grânulos de açúcar
nossas mãos enlaçadas dormem separadas de nossos corpos
meu mundo d'agua fria inunda as salas sem janelas
e eu me afogo em mim.
perdia-me com esses pequenos sátiros do caminho
minha luz, minha razão, leve e embriagada
meu caminho para o fim;
minha pele nua toca a terra fofa desse mundo em que me esqueço
a chuva que cai dos meus olhos fecunda as noites de flores
os signos no céu desenham um reflexo de alma
dentro do meu jardim;
a abóbada dourada no horizonte do universo em que viajo
possui estrelas mornas feitas de fuga
eu toco as borboletas que suspiram no meu peito
no perfume da tua pele cetim
meu coração, pendurado na moldura do sorriso
desse corpo quente em que me enlaço
rápido, latente, voando cego sobre as colinas dos meus sonhos
me libertando assim;
no oceano infinito dos meus pensamentos
eu vejo os icebergs à luz da lua
serpentes deitam-se em minha cama
esperando a hora carmim;
teus olhos castanhos descem grânulos de açúcar
nossas mãos enlaçadas dormem separadas de nossos corpos
meu mundo d'agua fria inunda as salas sem janelas
e eu me afogo em mim.
quinta-feira, 14 de outubro de 2010
Do bilhete sobre a mesa da cozinha
"São esses pequenos titubeios que te fazem humana. Eu ouvi você dizer mais de uma vez que estava ciente sobre isso, sobre a pesada carga que iria carregar, sobre essas exigências que só você sabe fazer para si mesma e que você era forte o suficiente pra suportar; Eu ouvi você cantar por aí que tudo isso era uma burocracia inútil, que era uma questão de protocolo, joguinho social, mas então te vejo entrar em desespero sem prévio aviso e vejo tua mente pensar em desistir ao primeiro sinal de cansaço.Pois eu te digo que os dias são sucessões de um sol que nunca muda e amanhã ou depois, após ter se desesperado e chorado pensando em largar tudo, você vai se lembrar do que eu estou falando agora e vai sorrir tentando se lembrar de todas as palavras (todas as palavras desse grande aquario que é pensamento humano) e as palavras vão te escapar entre os dedos lentamente; mas você vai sim passar por essa fase "tinha uma pedra no meio do caminho" e a vitória sobre esse monstro vai fazê-lo parecer tão pequeno quanto uma formiga. E você vai saborear cada pedaço dele com triunfo, porque acima de tudo, eu sempre quis acreditar no que você andou contando por aí: "Eu já estou lá, isso tudo é só uma questão de burocracia";
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
14:42
Me sento no chão, na cadeira, na calçada Porque lá fora o dia é bonito como nos filmes
Sorrio pro sol, realmente feliz por ser triste
E por dentro meu coração chora
Ando por aí, com esse semblante cansado
e passo noites pensando como poderia ser diferente
Mas não me privo das sensações que aparecem
Porque fazem parte do que eu sou agora
segunda-feira, 13 de setembro de 2010
Microconto de Segunda-feira
Sentada na terra, com a chuva a pingar,
tira de um livro velho a vontade de partir;
Não sabe se dorme com vontade acordar,
Ou se acorda com vontade dormir.
tira de um livro velho a vontade de partir;
Não sabe se dorme com vontade acordar,
Ou se acorda com vontade dormir.
quinta-feira, 9 de setembro de 2010
Do antigo
De tempos atrás, lá, perdido entre rascunhos esquecidos.
"Às vezes abro essa página e leio. Leio como eu fui há um tempo atrás e leio o que fui há alguns dias. Peso cada palavra, revivo cada entrelinha, cada significado. Venho aqui e escrevo algumas palavras sem sentido e apago um texto após o outro, frase após frase, e escrevo tudo de novo.
Esse texto mesmo foi um racunho nessa página e foi editado e reeditado muitas vezes, por meses.
Minha vida é feita de muitas partes e mesmo eu sou feita assim.
Descobri que tenho medo de morar sozinha porque sempre teria a sensação de que não há adultos em casa. Descobri que meus desenhos são mediocres; E que não escrevo tão mal como imaginava.
Descobri que tenho tratado meus anti-corpos muito mal; Prefiro dar bom dia do que dar boa noite; E que gosto mais de abraços do que de apertos de mão;
Todos os dias eu olho o relógio centenas de vezes. Vejo a hora apenas algumas; E descobri que tenho pensado demais em queimar os calendários que risco todos os dias.
Com o tempo percebi que me vendo de forma muito fácil por afeto e que me afeiçoo com facilidade às pessoas. Isso em mim é imutável."
"Às vezes abro essa página e leio. Leio como eu fui há um tempo atrás e leio o que fui há alguns dias. Peso cada palavra, revivo cada entrelinha, cada significado. Venho aqui e escrevo algumas palavras sem sentido e apago um texto após o outro, frase após frase, e escrevo tudo de novo.
Esse texto mesmo foi um racunho nessa página e foi editado e reeditado muitas vezes, por meses.
Minha vida é feita de muitas partes e mesmo eu sou feita assim.
Descobri que tenho medo de morar sozinha porque sempre teria a sensação de que não há adultos em casa. Descobri que meus desenhos são mediocres; E que não escrevo tão mal como imaginava.
Descobri que tenho tratado meus anti-corpos muito mal; Prefiro dar bom dia do que dar boa noite; E que gosto mais de abraços do que de apertos de mão;
Todos os dias eu olho o relógio centenas de vezes. Vejo a hora apenas algumas; E descobri que tenho pensado demais em queimar os calendários que risco todos os dias.
Com o tempo percebi que me vendo de forma muito fácil por afeto e que me afeiçoo com facilidade às pessoas. Isso em mim é imutável."
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
We love
"Todas nós temos anseio pelo que é selvagem. Existem poucos antídotos aceitos por nossa cultura para esse desejo ardente. Ensinaram-nos a ter vergonha desse tipo de aspiração. Deixamos crescer o cabelo e o usamos para esconder nossos sentimentos. No entanto, o espectro da Mulher Selvagem ainda nos espreita de dia e de noite. Não importa onde estejamos, a sombra que corre atrás de nós tem decididamente quatro patas".
CLARISSA PINKOLA ESTÉS
CLARISSA PINKOLA ESTÉS
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Pequenas Epifanias Cotidianas...
(ou "Neverland não existe")
É bobagem a gente pensar que vai ser criança pra sempre.
O tempo te engole e você nem vê ele passar. Neverland não existe. É dificil ter noção disso tudo, uma noção real das coisas, ver que você está envelhecendo, que o mundo não parou de girar e que você gastou muito tempo realmente se importando com o que os outros pensam sobre a imagem que você fez de você mesmo.
Isso talvez seja um desabafo, uma das minhas infinitas tentativas de segurar o tempo. Ou talvez seja alguma idéia sobre o mantê-lo ao meu lado, sobre fazê-lo meu amigo de novo, sem pressa, sem ambição.
Talvez eu queira não me preocupar mais. Só quero viver o que me resta,da melhor maneira possível.
É bobagem a gente pensar que vai ser criança pra sempre.
O tempo te engole e você nem vê ele passar. Neverland não existe. É dificil ter noção disso tudo, uma noção real das coisas, ver que você está envelhecendo, que o mundo não parou de girar e que você gastou muito tempo realmente se importando com o que os outros pensam sobre a imagem que você fez de você mesmo.
Isso talvez seja um desabafo, uma das minhas infinitas tentativas de segurar o tempo. Ou talvez seja alguma idéia sobre o mantê-lo ao meu lado, sobre fazê-lo meu amigo de novo, sem pressa, sem ambição.
Talvez eu queira não me preocupar mais. Só quero viver o que me resta,da melhor maneira possível.
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